Via Crucis - Lucio Fontana
Exposição
10 out - 18 nov 2007
Foyer- 130m2
12 obras

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A Via Crucis de Lucio Fontana

Lúcio Fontana nasceu escultor (filho da arte, visto que também o pai o era). E escultor foi pelos seus primeiros vinte e cinco anos de atividade criativa, desde a metade dos 20 até o final dos 40, quando se imaginou e desde então se tornou também e sobretudo, pintor. Entre as duas guerras, um escultor entre os novos mais significativos no contexto da arte européia ( e latino americana), experimentalmente aberto a experiências múltiplas.

Exemplo de extraordinária qualidade de invenção plástica, participe do mais alto nível da dutilidade imaginativa do Fontana escultor e ceramista – e justo no momento e nos próprios métodos de sua definitiva formulação “espacial” – as “estações” da via Crucis , em cerâmica reflexa de grande efeito coloristico, articulam espacialmente, em um alto relevo propenso praticamente à liberdade da escultura tridimensional. Grupos de figuras que gesticulam encharcadas por uma matéria de um cintilante cromatismo e de uma exuberante expansão quase tentacular na relação com o espaço.

Ligadas a particulares “estações’ por um fio narrativo, ao mesmo tempo perceptível e transgredido nos movimentos muito livres da imaginação fontaniana, constituem o suceder-se de eventos plásticos, de vez em vez reanimados por um contínuo expandir-se ramificado, onde  casa situação narrada acende-se justamente de uma agitação gestual que se torna sempre uma nova fratura plástica no jogo da incidência do espaço sobre a forma e do alongar-se da evasiva conformação desta sobre o próprio espaço.

Eventos plásticos que podem ser lidos como tais, no fundo, segundo um evidente e predominante interesse pela escultura, como ocasião da escultura, ou em relação à mais específica correspondência com a temática sacra que tais eventos assumem, e a seu modo explicitam.

Enrico Crispolti
Curador

 

Dois anos depois do final da Segunda Guerra Mundial, em 1947, Lucio Fontana  realiza a Via Crucis, em que as  tremendas etapas do suplício de Jesus traduzem todo o sofrimento humano.
No percurso de Fontana trata-se de uma passagem fundamental.
Naquele ano, a argila moldada furiosamente pelos dedos do artista na Via Crucis tornar-se-ia seu primeiro Conceito Espacial.

Os processos técnicos de cerâmica são transfigurados em elementos de profunda significação expressiva:  o barro traz a marca da mão que o molda, o fogo imprime nas peças o seu movimento ascendente e imprevisível, ao das à cor o brilho da chama. È fácil relacionar estas obras de Fontana à arte religiosa-barroca, mas porque não lembrar dos frenéticos teatrinhos de El Greco? Na verdade, eclode nelas um primitivismo instintivo, uma volta ás origens da plástica e da cor.

Cerâmica carregada de violência gestual, as figuras quebradiças e mal esboçadas são emanações alucinadas lançando-se do solo vertical como as centelhas de uma fogueira. Revivem as cores de um Gótico popularmente flamejante. Algozes de ouro enxameiam ao redor de um Cristo azul, o filho agonizante despenca em direção à mãe com a falta de peso de um fantasma. Os painéis impõem uma visão frontal, mas apresentam um ângulo de vista múltiplo e ambíguo. A narração acontece por impetuosas rajadas de vento, moduladas de repente pela cor. Fontana traduz na escultura a poética da matéria e do gesto que informarão o expressionismo abstrato, voltando-se para uma reflexão sobre seu fazer-se e seus materiais, para a mão e o fogo que dão forma ao barro, como a mão e o sopro divino deram início à história ao moldar a argila humana.

Luciano Migliaccio

 

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Estação IX - Jesus cai pela terceira vez

 

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